06
Jun

Mudando de endereço, mais uma vez

Afim de organizar, mais uma vez, os textos que são publicados no blog, estou criando um novo domínio para colocar os textos relacionados a Computação/Informática no Estatizado. Espero que dessa vez seja definitiva a mudança, já que “Kakotopia” não se relaciona em nada com Tecnologia.

Contudo, os outros temas continuarão aqui, da mesma forma de sempre; abordando temas como política, sociedade, filosofia, dentre outros. Bom proveito!

04
Fev

if (Microsoft + Yahoo == true) then strikes back Google

Microsoft + Yahoo!

Na última sexta-feira, 1º de Fevereiro, a Microsoft fez uma proposta não solicitada de compra da Yahoo! por U$ 44,6milhões numa forma de contra-atacar o domínio do Google em buscas e publicadade on-line. A proposta da Microsoft ocorre num momento complicado para a ex-gigante da Internet, Yahoo!. A empresa passa por problemas financeiros e anunciou na semana passada a demissão de mil funcionários da empresa, sendo a “maior eliminação de postos de trabalho que a empresa já fez desde a sua fundação“, na “Era Bolha“, em meados de 1995.

Desde o anúncio da proposta da Microsoft muita coisa ocorreu nessas quase 96 horas. A Google parece estar propondo uma parceria com a empresa para que a mesma receba estímulos para continuar independente, além de uma proposta de integração das plataformas de busca do Yahoo! com o sistema de publicidade on-line do Google (rumores, por enquanto; nada confirmado e anunciado oficialmente a esse respeito, ainda). Além disso, David Drummond, o Vice-Presidente Senior (SVP, na sigla em Inglês) do Google, em post publicado no blog oficial do Google, considerou a proposta hostil da Microsoft uma tentativa de levar ao campo aberto da Internet as mesmas ideias monopolistas praticadas pela empresa de Bill Gates no mercado de PCs.

Enquanto isso, o jornal El País considera a proposta de Steve Ballmer a prova máxima que o diretor-executivo da Microsoft já enfrentou em seus 28 anos na empresa. Enquanto analistas consideram a proposta como uma prova da incapacidade do mesmo em conseguir conquistar um espaço na Internet, além de não conseguir enxergar a hora certa de entrar no mercado de publicidade on-line. Outro ponto interessante destacado pelo jornal El País é o próprio choque cultural das duas empresas, a qual o jornal chama, se a aquisição ocorrer de fato, de Microhoo. Por exemplo, cita a reportagem, o ambiente de livre arbítrio praticado na Yahoo! em contra-posição ao estilo mais formal de trabalhar na Microsoft. Além disso, analistas acreditam num possível êxodo de engenheiros do Yahoo! para o Google.

Minha humilde opinião:

Acredito que ainda é cedo para realmente prever o que vai acontecer. Mas algo é certo: a Microsoft está desesperada quanto à falta de espaço na Internet, principalmente em questão de publicidade e busca on-line. O gigante do software, que há algum tempo estava negligenciando a Internet, parece ter finalmente acordado para as possibilidades da rede e demonstrado uma total incapacidade de obter seu espaço na mesma. Está certo que o Google também se baseia no conceito de “aquisições para conquistar” (vide caso DoubleClick; dentre outros), mas nada se compara a uma aquisição Microsoft + Yahoo!. Acredito que no final, se realmente estiver ocorrendo uma parceria Google e Yahoo! nos bastidores, esta vai acabar cedendo, para que a mesma continue viva como ela é, já que entregar-se à Microsoft representa claramente uma perde da autonomia (não só por questão financeira, ou legal, mas pelos serviços e pela tecnologia empregada, já que a Microsoft costuma transpor tecnologias não-Microsoft para tecnologias próprias após aquisições; e diga-se de passagem, a tecnologia Yahoo! é construída sobre tecnologia Open Source).

Muita coisa ainda pode acontecer nesse meio. Quem sabe a News Corp. não surge com uma proposta de compra da Yahoo! e faça com que todas as previsões estejam erradas? Nada é impossível nesse momento.

03
Fev

WordPress vs. Blogger: por quê o segundo não deu certo?

Para aqueles que estavam frequentando este blog, devem ter percebido que há um tempo atrás houve uma tentativa de separar os conteúdos de tecnologia e sociedade do blog em dois outros blogs existentes: um hospedado aqui mesmo no WordPress, ou melhor, este que você está lendo, e outro hospedado no Blogger. Porém, a separação foi por água abaixo. Se eu ao menos escrevesse uma boa quantidade de textos para conseguir manter dois blogs distintos; porém não consigo. E pensando bem acho melhor manter este blog da forma como ele sempre foi: abordando assuntos de vários âmbitos. O que acaba refletindo a minha própria personalidade: uma pessoa que gosta de vários assuntos, mesmo que um não tenha nada a ver com o outro.

Portanto o “Kakotopian, living in a dystopic world” deixa hoje de existir por não fazer sentido manter dois blogs quando não tenho condições de manter nem mesmo um único blog. E prometo não mais ficar modificando o blog. [Contudo, como podem perceber, o blog está a cada dia nascendo, não há algo fixo por aqui ainda.]

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Todos os textos que antes pertenciam ao blog hospedado no Blogger já foram postados neste blog, com as mesmas datas das respectivas postagens.

22
Jan

Google Knol

Já estão falando por aí, um novo serviço do Google está a emergir. Trata-se do Google Knol (Knol : abreviatura de knowledge, conhecimento), ainda sem página oficial (embora pareça que já exista um domínio registrado para a versão nacional, aparentemente). O novo serviço foi anunciado oficialmente no blog oficial do Google, sob o título de [tradução livre:] “Encorajando pessoas a contribuir [compartilhar] conhecimento”.

De maneira geral a proposta deste novo serviço parece ser interessante. Há uma fusão dos conceitos de Wiki com Blogs. Contudo, alguns estão vendo isto como uma concorrência à Wikipédia, ou mesmo uma resposta à iniciativa da Wikimedia de criar um sistema de busca próprio, o Wikia Search, que já apresenta uma versão Alpha do buscador.

Se é uma concorrência ou resposta à Wikimedia não sabemos ao certo, mas o serviço baseia-se em conceitos interessantes. Diferentemente da Wikipédia, na qual vários autores compartilham a “autoria” de um único artigo, no Google Knol cada artigo terá um único autor, um único usuário responsável. Os demais usuários poderão somente opiniar sobre o artigo e sugerir melhorias. Além disso, o autor poderá colocar links patrocinados em seus artigos (provavelmente através do Google AdSense), o que não pode ser feito no site da Wikipédia.

Vale lembrar que outra proposta também interessante é o Citizendium, que lembra bastante o Wikipédia. Aliás, aquele surgiu apartir do co-fundador da Wikipédia Larry Sanger. O Citizendium baseia-se nos mesmos conceitos de colaboração de artigos que fundamentam a Wikipédia, contudo os artigos serão coordenados/orientados por especialistas de diversas áreas do conhecimento que deverão garantir a autenticidade das informações. Além disso, todos os usuários participantes deverão ter nomes reais.

Algo preocupante nesta história toda é a preocupação constante do Google em aliar conhecimento com publicidade.

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Alguns textos interessantes: Knol: O concorrente Google da Wikipedia; e Knol vs. Wiki.

17
Jan

Tropa de Elite e a glamourização da infração dos Direitos Humanos

Que a nossa sociedade nacional (ou até mesmo global, porquê não?) passa por uma crise de valores, de referenciais, isso já é evidente. Só que estamos cada vez mais chegando a níveis preocupantes no Brasil.

Antes mesmo de ter estreiado nos cinemas, o filme Tropa de Elite já estava sendo vendido por aí, em vários camelôs das grandes metrópoles brasileiras, ou mesmo sendo distribuído em várias redes de compartilhamento de arquivos pela Internet, embora o diretor do filme afirme que esta versão é uma versão não completa do filme, que ainda passaria por algumas edições. Seja a versão verdadeira ou não, um fato é interessante: o nível de violência mostrado pelo filme, o qual não deve se diferenciar muito entre a versão atual, a “incompleta”, e a versão final, das salas de cinema.

Enquanto o filme Cidade de Deus mostrava uma glamourização da criminalidade dos traficantes cariocas, Tropa de Elite agora tenta glamourizar a ação violenta dos policiais de elite do BOPE, Rio de Janeiro. Só que Tropa de Elite ainda trás outras discussões além de mostrar a “humanização”, do porquê da ação violenta dos policiais de elite. E o mais preocupante é que as pessoas acreditam que somente à base da força, à base de sofrimento, sacrifício, teremos policiais realmente capacitados a tratar do banditismo carioca, como se não tivéssemos parcela de culpa por toda esta ação. Aliás, isto é praticamente a mensagem principal do filme: a nossa parcela de culpa na criminalidade que assola nosso país, seja diretamente, seja indiretamente, pelo descaso.

Eu fico fascinado com o nível de omissão das pessoas, em achar que o problema de favelas, moradores de ruas, sem terra, sem teto, sem gás, sem escola, sem etc., não fossem nossa responsabilidade. As pessoas não são cidadãs, são todos alheios à construção da nossa sociedade. “Ah, é culpa do pobre que não quis estudar!”, ou “Ah, não tenho nada a ver com isso!”, como se tudo em nossa sociedade surgisse sem qualquer causa, sem qualquer origem. Não é preciso ser doutor sem sociologia para ver que a nossa omissão cria todo este emaranhado de situações, ou você, “cidadão” inconsciente, acredita que o pobre fez opção por ocupar esta posição social? Que a sua omissão não influencia em nada disto? Somos todos responsáveis pela sociedade a qual vivemos.

Outro fato é que direitos humanos, os quais deveriam ser respeitados e garantidos a todos os cidadãos, vem cada vez mais a cair por terra. Parece que o correto mesmo é ninguém ter direitos, somente eu, que sou limpinho, rico e cheiroso. Agora o pobre, favelado, alienado, ignorante, não deve nem saber o que é direito, muito menos direitos humanos. Que isto tudo não passa é de uma tremenda hipocrisia (o policial pode violentar sem dó o pobre, mas o pobre não deve usufruir de qualquer direito; aliás, isto também foi discutido no filme), isso é evidente. No filme não se chega à conclusão se devemos ou não apoiar a ação violenta dos policiais do BOPE, face à violência evidente dos traficantes. Somos todos convidados a essa reflexão. Agora que esta situação pode se agravar ainda mais no futuro, poucos parecem pensar nisso.

Devemos levar em consideração qual tipo de sociedade estamos construindo, para mais tarde não nos arrependermos de nossas escolhas, como cidadãos com responsabilidades numa sociedade.